21 de dez de 2017

Walfredo Gurgel Doente

O maior hospital público do Rio Grande do Norte, paradoxalmente, cavalga ofegante e sem um “norte”.  Muitos de seus súditos suplicam por uma aposentação especial, vez que já adernaram o próprio sangue, o suor e a saúde, salvando vidas e atenuando o sofrimento dos que gemem de dor. Em um lamento tristonho e silencioso, pouco a pouco, vão ocupando o mesmo limite de chão que pertenceu a outro, durante o dia de ontem. Faltam-lhes remédios, lençóis, alimentos e calor humano.  Amigas, amigos e colegas de plantões suplicam por socorro. 

Já não conseguem exercer o ofício escolhido com dignidade. Muitos sufocaram o choro incontido, ignoraram a vergonha e saíram mendigando algumas moedas que lhes garantissem o retorno ao trabalho no dia seguinte.  Corredores com exorbitância no número de macas; leitos sendo desativados e a vida indo embora, dia após dia, com uma intensidade que surpreende e causa extrema indignação. No ambiente familiar já não há o “sustento” que havia no passado.  A vida adoeceu… a falta do alimento ensejou a mendicância. 
 O “Natal em família” de muitos, bem diferente do passado, será tão somente um momento de jejum e oração.  Nunca, em momento algum, durante toda a minha vida profissional, vi um “fim de ano” tão marcante para o Servidor Público. Inesquecível! Esta é a dura realidade dos grandes hospitais públicos do nosso Estado. Não fosse pelas vidas salvas, não faria sentido tanta luta. 
 O riso transformou-se em lágrimas e a gratidão virou revolta. Que Deus nos abençoe!  Natal, 21 de 12 – 2017.  

Sebastião Paulino da Costa. Médico: CREMERN 2495 Advogado: OAB/RN 2994

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