19 de jan de 2017

“Houve divergência de opiniões, mas não citei Robinson”, se defende Virgolino

Portal Época entrevistou o secretário e publicou que ele havia dito que Robinson havia 'ignorado orientações da Sejuc e da inteligência'
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Reprodução
Secretário estadual de Justiça e Cidadania do RN, Wallber Virgolino

O secretário estadual de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte (Sejuc), Wallber Virgolino, desmentiu a citação da revista “Época” de que ele teria dito que o governador Robinson Faria (PSD) teria ignorado as orientações da Sejuc e da inteligência ao negociar com os presos de Alcaçuz e aprovar suas transferências. Segundo o secretário, houve uma divergência de opiniões, mas em momento algum na entrevista à Época, ele citou o nome de Robinson.
“Vieram me indagar sobre a declaração de Vilma (Batista, do sindicato dos agentes) de que a Sesed havia feito um acordo com o crime. Não houve acordo, houve divergências de opiniões. A Sesed estava embasada em dados da inteligência e isso foi acatado. Divergências existem. Ninguém sequer falou o nome do governador”, se defendeu Virgolino.
Confira na íntegra a entrevista publicada pela Época com Virgolino (créditos: Daniel Haidari):
O secretário estadual de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, afirmou nesta quinta-feira (19) que o governador Robinson Faria ignorou sua orientação sobre a retirada de presos de Alcaçuz, onde 26 foram assassinados no último fim de semana. Em entrevista à “ÉPOCA”, Virgolino disse que o governo do estado desconsiderou as informações de inteligência do sistema prisional ao aprovar a transferência de detentos da facção potiguar Sindicato do Crime (SDC), rival da paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). “Não foi levado em consideração o que o secretário de Justiça e a inteligência disseram. Sugeri que tirassem o PCC do presídio”, afirmou.
Virgolino defendia retirar membros do PCC, em vez de presos do SDC, por duas razões. A primeira diz respeito ao fato de que a facção paulista é minoria em Alcaçuz – 500 integrantes contra 1.000 da organização potiguar. A segunda é que o PCC é mais influente que o SDC naquele presídio.
A remoção de presos do SDC resultou numa batalha armada entre as organizações criminosas na manhã desta quinta-feira. Munidos de pedras, barras de ferro e vigas de madeira, os detentos partiram para o confronto. Do alto das guaritas, policiais fizeram disparos na tentativa de conter a confusão.
Segundo o jornal O Globo, integrantes do governo do Rio Grande do Norte iniciaram uma negociação com chefes do PCC, na tarde de quarta-feira (18), na tentativa de conter a rebelião em Alcaçuz. Virgolino confirmou a ÉPOCA que uma delegada foi autorizada pelo governador a negociar com a facção paulista. Durante a conversa, o PCC exigiu, entre outras medidas, que fossem retirados presos do SDC da Penitenciária de Alcaçuz.
Depois do acordo, o governador Robison Faria autorizou a retirada de 220 presos do SDC de Alcaçuz. Em reação à remoção, a facção potiguar iniciou uma série de ataques nas ruas da Grande Natal. Pela primeira vez desde o início da crise da segurança pública no país, em outubro passado, a guerra de facções saiu dos presídios.

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