17 de jan de 2013

Dissidência dentro do PT contra Alves perde espaço

De O valor
Apesar das denúncias de irregularidades e das divisões dentro do principal aliado, o PT mantém inalterado o apoio à candidatura do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), a presidente da Câmara dos Deputados.
“O PT é cumpridor de acordo e vai cumprir esse acordo”, disse o líder do PT, José Guimarães (CE). “Vamos até o fim com Alves. Não há a menor hipótese da bancada não apoiá-lo. Chance zero. Temos um acordo e vamos cumpri-lo”, disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
A avaliação geral na bancada e no partido é de que as denúncias de favorecimento de recursos de emendas parlamentares e a de contratação de empresa fantasma para prestar serviços ao seu gabinete não abalaram a candidatura de Alves. Foram interpretadas apenas como decorrentes de rachas internos do PMDB. Mas há outros fatores políticos que preponderam sobre esses e colaboram para o partido manter e defender a eleição de Alves.
Internamente, o grupo petista mais antipático a alianças com o PMDB e que sempre cogitou lançar um petista contra ele na disputa pela presidência da Casa se enfraqueceu nos últimos meses. Perdeu espaços na bancada e deputados de peso. Com uma diferença de 11 votos, André Vargas (PR) derrotou Paulo Teixeira (SP) no embate interno pela indicação do PT a vice-presidência, em dezembro. Em outra frente, José Guimarães (CE) assumiu a lideranças no lugar de Jilmar Tatto (SP), que deixou Brasília para assumir a Secretaria de Transportes de São Paulo.
Outro possível foco de dissidência, o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), seguiu orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aderiu completamente à candidatura Alves. Com ele, cumpriu um périplo com empresários e políticos nesta semana em Porto Alegre. Restaria, assim, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), tentar se lançar, mas aparentemente não há muito espaço nem tempo para manobras de última hora. Que, a rigor, poderiam lhe custar o cargo, uma vez que a orientação da presidente Dilma Rousseff continua a ser a de apoiar Alves. O máximo que Chinaglia fez nesta semana, segundo petistas, foi telefonar a Rose de Freitas para sondá-la do cenário político.
Dificulta também qualquer recuo a frente ampla de acordos costurados por Alves para a disputa. Ele tem declarados os apoios das bancadas do PT, PSDB, DEM, PP, PR, PSD, PCdoB, PPS, PSC, PRB, PTdoB, PRP, PHS, PTC, PSL e PRTB além, claro, do PMDB. O que lhe dá, em tese, 85% dos votos.
Além disso, as outras duas candidaturas colocadas, a da vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), e a do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), são consideradas pelo PT perigosas e de alto risco ao governo. Delgado é correligionário do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, já considerado pelo petismo adversário de Dilma em 2014. Também incomoda o fato de ele ser de Minas Gerais, mesmo Estado de outro presidenciável, Aécio Neves (PSDB), e onde há focos oposicionistas no próprio PMDB. Já Rose de Freitas é tida como imprevisível demais para assumir o cargo.
Os dois deputados, assim como Alves estão em plena campanha. Na segunda-feira, Delgado esteve em Minas, onde se encontrou com o governador Antonio Anastasia (PSDB). Ontem, o deputado foi a Manaus. Rose de Freitas concentrou sua campanha em Brasília.

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