
Se a política obedecesse à matemática simples, em que dois mais dois são quatro, a oposição ao governador eleito Cadu Xavier (PT) teria a eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte praticamente nas mãos. Afinal, os partidos que apoiaram os candidatos derrotados Álvaro Dias, no primeiro turno, e Allyson Bezerra, no segundo, somam 14 deputados estaduais, contra apenas 10 parlamentares que estiveram no palanque de Cadu.
Mas política não é uma ciência exata. E, quando o assunto é a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, os números nem sempre dizem quem ganha. O que pesa mesmo é liderança, articulação, capacidade de negociação e, sobretudo, poder político.
É justamente nesse cenário que surge a figura do atual presidente da Casa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB). Embora esteja impedido de disputar novamente o comando do Legislativo, por já ter sido reeleito, Ezequiel continua sendo uma das peças mais importantes do tabuleiro. Não pode ser candidato, mas pode ser o grande responsável pela eleição do sucessor.
Na teoria, Ezequiel parte de uma base de dez deputados, sendo sete da Federação Brasil da Esperança e três do PSDB, que apoiaram Cadu Xavier. E tem mais: mantém canais de diálogo com pelo menos metade dos parlamentares eleitos em palanques adversários. Isso significa que sua influência ultrapassa, e muito, as fronteiras partidárias.
Como se não bastasse, Ezequiel ainda conta com um ingrediente de peso: a simpatia do governador eleito Cadu Xavier e a perspectiva de influência da futura estrutura administrativa estadual. Na política, esse detalhe pode fazer toda a diferença. Um candidato à presidência da Assembleia que tenha o apoio de Ezequiel e a simpatia do futuro governo já entra na disputa com meio caminho andado.
Do outro lado está o deputado reeleito Kleber Rodrigues (PP), que há pelo menos um ano trabalha para chegar à presidência da Assembleia. Kleber conhece os corredores do Palácio José Augusto, tem experiência política e vem construindo sua candidatura. Seu maior desafio, entretanto, será transformar os 14 deputados teoricamente de oposição em votos efetivos para seu projeto.
E aí está o problema. Uma coisa é reunir 14 parlamentares numa conta de papel. Outra, completamente diferente, é convencer todos a caminharem juntos numa eleição em que interesses políticos, compromissos individuais e negociações de bastidores costumam falar mais alto do que as alianças eleitorais.
Kleber Rodrigues teria tudo para cantar bingo, não fosse uma sombra de peso no seu caminho: Ezequiel Ferreira de Souza.
No fim das contas, a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa poderá ser decidida menos pela divisão entre governo e oposição e muito mais pela habilidade de quem conseguir construir a maioria. Ezequiel sabe jogar esse jogo como poucos.
A disputa está apenas começando. E quem apostar que 14 é necessariamente maior do que 10 na política poderá terminar descobrindo que, na Assembleia Legislativa, a matemática tem suas próprias regras.
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