A
juíza Francimar Dias, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do
Norte (TRE-RN), determinou nesta sexta-feira 12, em caráter liminar, a
suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo
Instituto Veritá sobre a disputa para o Governo do Estado e para o
Senado nas eleições de 2026. A decisão atendeu a uma representação do
partido Republicanos, que apontou irregularidades no plano amostral e na
metodologia utilizada pelo instituto.
O levantamento, registrado
na Justiça Eleitoral sob o número RN-06276/2026, foi divulgado na última
quarta-feira 10 e apresentava Álvaro Dias (PL) na liderança da corrida
pelo Governo do Estado, seguido por Cadu Xavier (PT) e por Allyson
Bezerra (União). O resultado destoou de sete outras pesquisas divulgadas
entre o fim de maio e o início de junho no Rio Grande do Norte, que
apontam Allyson na primeira colocação, Álvaro em segundo e Cadu em
terceiro lugar, como ocorreu em levantamento do Instituto Exatus,
divulgado pelo grupo Agora RN no fim de maio.

Instituto é alvo de questionamentos no RN por irregularidades em pesquisas - Foto: Divulgação
Na
ação, o Republicanos sustentou que a pesquisa reproduziu problemas
metodológicos já apontados anteriormente contra o Instituto Veritá,
especialmente na composição do plano amostral. Segundo a legenda, o
levantamento atribuiu 34% dos entrevistados à faixa de ensino superior,
percentual muito acima da média de cerca de 14% utilizada por outros
institutos com base em dados oficiais. Também foi questionada a
distribuição por renda, com 25% da amostra concentrada entre pessoas com
renda superior a cinco salários mínimos, enquanto outros levantamentos
limitam esse segmento a aproximadamente 13% do eleitorado.
Outro
ponto destacado pela representação foi a utilização de referências
genéricas para a construção da amostra. O Instituto Veritá informou
apenas que utilizou bases como IBGE, PNAD Contínua, MEC e Inep, sem
especificar quais levantamentos, tabelas ou anos de referência serviram
de parâmetro para a pesquisa, o que, segundo o partido, inviabilizaria a
fiscalização dos dados utilizados.
Ao analisar o pedido, a juíza
Francimar Dias entendeu que há indícios suficientes de irregularidade
para justificar a concessão da tutela de urgência. Na decisão, ela
afirmou que a pesquisa apresenta, em análise preliminar,
incompatibilidades entre o perfil amostral informado e a distribuição
demográfica do eleitorado potiguar, especialmente quanto às variáveis de
escolaridade e renda.
A magistrada observou que o percentual de
entrevistados com ensino superior registrado pelo instituto é
significativamente superior ao utilizado por outros levantamentos
baseados em fontes oficiais, indicando possível super-representação
desse segmento na amostra. O mesmo ocorre, segundo a decisão, com a
faixa de renda mais elevada, que aparece em proporção considerada
discrepante em relação aos dados demográficos do Estado.
“Essa
grande divergência nos dados percentuais, aferível de maneira objetiva,
associada à indicação genérica da base de dados que serviu de parâmetro
para a definição do plano amostral, prejudica, em uma análise
preliminar, a capacidade de fiscalização do Ministério Público Eleitoral
e dos demais interessados acerca da representatividade da amostra
pesquisada, de modo a justificar o deferimento do pedido de suspensão da
pesquisa eleitoral impugnada”, escreveu a juíza.
A decisão também
ressalta que o Instituto Veritá já foi alvo de questionamentos
semelhantes em outros processos envolvendo pesquisas eleitorais no Rio
Grande do Norte.
Francimar Dias ainda destacou que a pesquisa já
havia sido amplamente divulgada em diferentes plataformas e canais de
comunicação, circunstância que amplia seus efeitos sobre a percepção do
eleitorado acerca da disputa eleitoral de 2026. Diante disso, determinou
a suspensão imediata da divulgação do levantamento em todas as
plataformas, sites e meios de comunicação, até nova deliberação
judicial, fixando multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. O
pedido para estender a ordem de remoção a terceiros que reproduziram a
pesquisa ficou para análise posterior.
Esta é a terceira pesquisa
do Instituto Veritá suspensa pela Justiça Eleitoral no Rio Grande do
Norte neste ano. Em decisão proferida no último dia 13 de maio, o juiz
Marcello Rocha Lopes já havia determinado a suspensão dos levantamentos
RN-02256/2026 e RN-04097/2026, também a pedido do Republicanos, pelas
mesmas razões da nova suspensão.
O Veritá é sediado em Uberlândia
(MG), mas costuma realizar pesquisas fora do território mineiro. Os três
levantamentos do RN foram realizados com recursos próprios, segundo o
registro oficial.
Além da Veritá, outro instituto que deu
resultado destoante dos demais foi o AtlasIntel. O levantamento
apresentou Cadu Xavier na liderança para o Governo do RN.Assim como a
Veritá, no entanto, a Atlas tornou-se alvo de questionamentos na Justiça
Eleitoral e no meio acadêmico após a suspensão de um levantamento
nacional sobre a corrida presidencial. No início desta semana, o
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques,
suspendeu o levantamento ao reconhecer indícios de viés contra o
pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).