22 de jul. de 2026

Suplência de senador: um mandato que o eleitor também escolhe

 

Jean Paul Prates
22/07/2026 | 05:56

Há poucas instituições da política brasileira tão importantes e, ao mesmo tempo, tão mal compreendidas quanto a suplência de senador. Em geral, ela só desperta atenção quando surge uma polêmica envolvendo parentes, empresários ou negociações de bastidores. O problema, porém, não está apenas em casos específicos. Está na forma como o próprio instituto foi sendo desvalorizado ao longo dos anos.

Quando o eleitor vota para senador, na verdade escolhe três pessoas: o titular, o primeiro suplente e o segundo suplente. Todos podem exercer o mandato. Não se trata de uma hipótese remota. Licenças para assumir ministérios, renúncias, falecimentos, problemas de saúde ou decisões judiciais fazem com que suplentes frequentemente ocupem a cadeira durante meses ou até anos. Em alguns casos, exercem praticamente todo o mandato.

Senado aprova projeto de incentivo ao primeiro emprego para jovens - Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Plenário do Senado - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Apesar disso, a campanha costuma concentrar toda a atenção no candidato principal. Os suplentes aparecem discretamente no registro eleitoral, raramente participam de debates e quase nunca são apresentados ao eleitor com a mesma transparência. É um paradoxo: pessoas que podem representar um Estado inteiro no Senado permanecem praticamente desconhecidas da população.

Nos últimos dias, reacendeu-se o debate sobre a escolha de parentes como suplentes. É importante separar conceitos. Juridicamente, isso não se confunde com nepotismo. O nepotismo ocorre quando alguém que já exerce um cargo público utiliza o poder de nomeação para favorecer familiares. A escolha de um suplente acontece antes da eleição e depende do voto popular. São situações distintas.

Isso não significa que a discussão ética deixe de existir. É legítimo perguntar se, entre milhões de habitantes de um Estado, um candidato realmente considera que seu parente é a pessoa mais qualificada para eventualmente exercer um mandato de senador. Essa resposta não deve ser dada apenas pela lei. Deve ser dada, sobretudo, pelo eleitor.

Mais preocupante, entretanto, é outra distorção que se consolidou na política brasileira: a transformação da suplência em ativo de negociação. Quando uma vaga passa a ser ocupada em razão do poder econômico, da influência empresarial ou da capacidade financeira de determinado interessado, perde-se completamente a finalidade da instituição. A suplência existe para assegurar a continuidade da representação política do Estado, não para abrir portas de acesso ao poder.

Também merece reflexão a escolha de pessoas sem qualquer vínculo efetivo com o Estado que poderão representar. O Senado não representa partidos nem governos. Representa as unidades da Federação. É razoável esperar que quem possa assumir esse mandato conheça a realidade econômica, social e política da população que pretende representar.

Outro aspecto indispensável é o critério reputacional. Toda pessoa tem direito à presunção de inocência, princípio fundamental do Estado de Direito. Mas isso não impede que partidos e eleitores adotem padrões elevados na escolha de quem poderá exercer um dos cargos mais relevantes da República. O Senado exige credibilidade, independência e confiança pública.

Talvez a maior reforma nem dependa de mudanças constitucionais. Dependa de cultura política. Os suplentes deveriam participar da campanha, conceder entrevistas, apresentar currículo, patrimônio, ideias e compromissos. O eleitor precisa saber exatamente quem poderá assumir aquela cadeira.

No fim das contas, a suplência não é um detalhe da eleição. É parte do mandato. E tratar essa escolha como mera formalidade ou como moeda de negociação significa diminuir não apenas a importância do Senado, mas também o respeito devido ao eleitor e ao próprio Estado que se pretende representar.

*Jean Paul Prates é ex-senador da República e ex-presidente da Petrobras

Samanda desce a ‘lenha’ em Styvenson

A vereadora e pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) fez duras críticas ao senador Styvenson Valentim (Podemos) após declarações do parlamentar sobre nepotismo. Em vídeo publicado nas redes sociais, Samanda reagiu à entrevista concedida por Styvenson ao programa Meio-Dia RN, da 96 FM, na qual o senador relativizou a prática e admitiu ter mudado de opinião sobre a indicação de parentes para funções públicas.

Segundo Samanda, a trajetória política de Styvenson foi construída justamente sobre a promessa de independência e de combate às práticas tradicionais da política. “Styvenson construiu sua imagem como alguém que não tinha padrinhos, não devia favores e não tinha amarras. E foi exatamente nisso que muita gente acreditou. Só que quem dizia combater o sistema hoje parece muito confortável dentro dele”, afirmou.

A petista encerrou o vídeo com uma crítica ainda mais contundente ao senador: “É o velho roteiro do ‘faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço’. No fim das contas, ele virou exatamente aquilo que dizia combater.


Cadu faz jantar para 40 prefeitos do RN, com presença de Fátima e Samanda, mas Rafael Motta fica de fora de lista de convidados do PT

 

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), divulgou em suas redes sociais que recebeu, na noite de segunda-feira (20), cerca de 40 prefeitos e prefeitas em um jantar realizado em sua residência. O encontro também contou com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT) e da pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT).

Ao comentar o encontro, Cadu afirmou: “Convidamos para visitar a nossa casa quem a gente quer ter perto. Vocês não são apenas nossos apoiadores, são nossos amigos.” A reunião foi apresentada como um momento de aproximação política entre lideranças municipais e a pré-campanha governista.

O pré-candidato ao Senado Rafael Motta (PDT), que integra a mesma chapa majoritária, não apareceu entre os participantes do jantar divulgados por Cadu. A ausência chamou atenção porque Rafael é um dos nomes da aliança formada por PT e PDT para as eleições estaduais.