13 de jul. de 2026

Em 2026, quase tudo cabe na palma da mão. Mas nem toda mão consegue segurar um smartphone.


 Obrigar um idoso de 90 anos a usar um aplicativo para acessar direitos básicos não é sinal de evolução. É sinal de que o sistema deixou de enxergar as pessoas que mais precisam dele.

Quem trabalhou a vida inteira, pagou impostos e ajudou a construir este país agora depende de um filho, de um neto ou de um vizinho para marcar uma consulta, acessar o INSS ou resolver um problema simples.

Isso não é inclusão digital. É exclusão social.

A tecnologia deve facilitar a vida das pessoas, nunca criar novas barreiras para quem já enfrenta tantas dificuldades. Modernizar os serviços públicos é importante, mas isso jamais pode significar abandonar quem não consegue acompanhar a velocidade das mudanças.

Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não é aquela que substitui tudo por aplicativos. É aquela que garante que ninguém fique para trás.

Enquanto um idoso precisar pedir ajuda para exercer um direito que é seu, ainda temos muito a evoluir.

Dignidade não pode depender de uma senha, de um celular ou de um aplicativo.

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