Nos bastidores da política do Rio Grande do Norte, a avaliação ganha cada vez mais força: a divisão da direita no estado tem nome e sobrenome: o senador Rogério Marinho.

Esse processo vem de trás. Começou quando Rogério rompeu com o prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, e aprofundou-se quando passou a se movimentar de forma isolada, inclusive entrando em rota de colisão com outras lideranças da direita, como Álvaro Dias.

O episódio mais recente reforça esse cenário. Ao retirar sua candidatura ao governo para apoiar Álvaro, a pedido de Jair Bolsonaro e para atuar na articulação política de Flávio Bolsonaro, Rogério impôs como condição a filiação de Álvaro ao Partido Liberal.

A exigência foi vista como um erro estratégico. Poderia ter havido apoio sem imposição, preservando o controle do Republicanos e mantendo a unidade da direita.

Mas o desfecho foi outro — e agora é fato consumado: o Republicanos será conduzido pelo grupo de Alysson Bezerra. A articulação prevê que, ao deixar a Prefeitura de Mossoró, Alysson entregue o comando político ao seu aliado Marcos Medeiros, apontado como futuro prefeito do município.

Ou seja, o partido que estava no campo da direita alinhado a Álvaro muda de mãos e passa para um grupo adversário, evidenciando o tamanho do desgaste provocado pelas decisões internas.

Outro fator que amplia a insatisfação é a insistência de Rogério na candidatura ao Senado do Coronel Hélio, nome visto como sem força eleitoral para agregar à chapa.

Enquanto isso, a esquerda se organiza e se une nos momentos decisivos. Já a direita segue dividida, desarticulada e sem rumo claro.

No meio desse cenário, a conclusão nos bastidores é direta: a desorganização atual da direita no Rio Grande do Norte tem um responsável — Rogério Marinho — e os efeitos dessa condução já estão aparecendo de forma concreta.