27 de fev. de 2012

Wilma afirma que aceita Carlos Eduardo como seu vice


A ex-governadora Wilma de Faria, presidente estadual do PSB no Rio Grande do Norte e pré-candidata do partido a prefeita de Natal nas eleições deste ano, disse que aceita ter como companheiro de chapa o também ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), repetindo assim a aliança vitoriosa da disputa municipal da capital em 2000, quando Wilma se reelegeu prefeita tendo como vice o então deputado estadual indicado pelo PMDB. Nesta entrevista ao Jornal de Hoje, a ex-governadora declara que o mais importante hoje, para os partidos que estão na oposição ao governo municipal e estadual, é encontrar uma solução tanto para 2012 quanto para 2014. Ela fala de critérios para a escolha do candidato da oposição e diz que, se eleita em outubro próximo, cumprirá integralmente o mandato até 2016. "Eu jamais poderia ser candidata a prefeita, eleita prefeita, e com um ano três meses deixar a Prefeitura de Natal. Jamais faria isso", diz ela, que quando deixou a Prefeitura de Natal para ser candidata ao governo do Estado, em 2002, tinha sido reeleita e estava no governo há cinco anos e três meses. "E foi o povo de Natal, na verdade, que me colocou como candidata. Foi o povo de Natal que fortaleceu o meu nome naquela época, e influenciou muito na minha decisão de ser candidata a governadora". Para Wilma de Faria, é possível a união da oposição. "Mas se todos tiverem juízo, se todos tiverem coragem, se todos se dispuserem a ter vontade de crescer do ponto de vista de comportamento ético, de comportamento de união de esforços", diz. "Nós precisamos nos fortalecer, precisamos ter a consciência de que, unidos, seremos fortes e assim chegaremos lá. Os sonhos, eles se realizam e o homem é do tamanho do seu sonho", completa. No texto abaixo, a governadora aborda diversos outros temas, critica ex-aliados, defende-se da possibilidade de ser considerada candidata ficha suja, e antecipa seus planos de governo para Natal, uma cidade que, segundo ela, "já foi amada por todos, principalmente por aqueles que nos visitavam, era organizada, mas que, hoje, está numa situação difícil".

JH - A senhora será candidata a prefeita de Natal?
WF - Posso ser candidata. Essa decisão vai ser tomada quando o partido terminar o trabalho de consulta às bases. E esse trabalho deve demorar até o final de março, como eu já anunciei à imprensa. Eu posso ser candidata. Evidentemente que posso ser candidata. No entanto, não há definição ainda oficial.

JH - A senhora admite negociar a retirada da sua pré-candidatura em prol de uma aliança com outro partido?
WF - Eu já respondi a essa pergunta.

JH - Admite?
WF - Eu já respondi.

JH - A senhora admite negociar a retirada da sua pré-candidatura a prefeita de Natal em prol de uma aliança com a oposição?
WF - Eu farei exatamente aquilo que o meu partido, e os partidos aliados, junto com o povo, encaminharem.

JH - Alguns políticos dizem nos bastidores que a senhora não assume sua candidatura com medo de não passar pela ficha limpa. A senhora teme algum tipo de processo que impeça a senhora de ser candidata?
WF - Eu não temo porque o nosso trabalho eu não tenho nenhuma condenação. Não tenho absolutamente nada. O que está sendo avaliado faz parte do jogo democrático, da lisura do comportamento e da responsabilidade das instituições. Nós sabemos que não tem nenhuma instituição que não tenha problemas. Por exemplo, agora mesmo teve um problema no Tribunal de Justiça. A presidente toma as providências. É necessário ver que isso acontece também em nível de Judiciário. Com o Supremo decidindo a questão da participação do Conselho (Nacional de Justiça) também na investigação, no trabalho que o Judiciário realiza em cada estado. Isso é próprio da democracia, importante essa transparência. O que existe mais no RN além de todos esses processos que houve em todos os governos? Não houve um governo que não tenha tido processo. Todos existem. Agora mesmo, você pode analisar os processos que houve no governo Garibaldi, os processos que houve em relação até ao governo de Carlos Eduardo como prefeito também. No governo de José Agripino houve também. Agora, o que existe mais forte é que existe uma imprensa, uma parte da imprensa muito dominada e que essa imprensa, muito dominada, faz um trabalho muito forte contra nosso partido, contra Wilma, também por achar que ela precisa ser banida e ficarem só os dois grupos que sempre se alternaram no poder durante muito tempo da vida pública do RN

JH - Tirando essa parte, o que alguns políticos passam é justamente que a senhora estaria temendo ser alcançada por algum processo em relação ao ficha limpa e ter a candidatura impugnada. Então a senhora não teme nenhum problema?
WF - Eu não posso temer. Eu tenho sempre que amanhecer o dia com coragem. É importante você saber. Eu tenho tranqüilidade, tenho minha consciência limpa e tranqüila. Sei que fiz um excelente trabalho, me dediquei de corpo e alma à atividade administrativa. Fiquei 20 anos na administração, se você somar o tempo que estive à frente da prefeitura nove anos, o tempo que estive à frente do Estado, o tempo que estive como secretária de Estado. Todas as minhas gestões foram bem avaliadas. Na hora que saí de cada uma delas o povo ficou com saudades das ações que nós desenvolvemos positivas, e nós estamos tranqüilos em relação a essa avaliação.

JH - Quando a senhora está em contato com a população e pedem para a senhora ser prefeita para solucionar essas questões, o que a senhora diz?
WF - Quando as pessoas me chamam para ser candidata eu sempre respondo que estou consultando e vou tomar uma decisão depois da consulta geral que eu fizer à população e aos partidos que estão interessados numa coligação conosco.

JH - Qual o prazo para isso?
WF - Final de março. Mas isso pode, de repente, se estender até abril.

JH - Carlos Eduardo foi vice da senhora aqui em Natal e hoje desponta como primeiro nas pesquisas. Algumas pessoas falam em a senhora não ser candidata e indicar o vice na chapa dele. A deputada Márcia Maia disse já que isso não deve acontecer e que o PSDB deve ter candidato. A senhora admite o inverso? De numa eventual candidatura ter Carlos Eduardo como vice?
WF - Claro. Eu acho que o mais importante, hoje, para os partidos que já estão na oposição, e o PDT já se colocou muito claramente que está na oposição tanto ao governo municipal quanto ao governo estadual, então, o nosso diálogo tem sido nessa direção, encontrarmos a melhor saída, não só para 2012, mas para 2014.

JH - Se a senhora for eleita prefeita de Natal, a senhora cumprirá o mandato até o fim, ou vai utilizar novamente como trampolim para uma eleição majoritária?
WF - Novamente, não. Eu jamais poderia ser candidata a prefeita, eleita prefeita, e com um ano três meses deixar a Prefeitura de Natal. Jamais faria isso. Quando eu deixei a Prefeitura de Natal eu tinha sido reeleita e estava no governo há cinco anos e três meses e foi o povo de Natal, na verdade, que me colocou como candidata. Foi o povo de Natal que fortaleceu o meu nome naquela época e, na verdade, influenciou muito na minha decisão de ser candidata a governadora.

JH - Falo em trampolim justamente porque Natal é uma vitrine para o Estado. A senhora saiu de Natal para ser governadora do Estado. Se a senhora for eleita em 2012, a senhora cumprirá o mandato integralmente?
WF - Integralmente. Por tudo que eu já falei, eu já respondi. Mas respondo com uma palavra só: integralmente.

JH- Em Mossoró, já está confirmada a candidatura da deputada estadual Larissa Rosado?
WF - Já está confirmada por nós. Desde o ano passado, ela fez essa consulta e ela já estava pré-candidata.

JH - A administração da prefeita Micarla de Sousa está com índices nunca vistos aqui em Natal, de reprovação de 90% e de rejeição de 60%. O que a senhora acha que houve para uma pessoa jovem que despertava tanta expectativa perante a população?
WF - Infelizmente, aconteceu o que até não se esperava. Nem a oposição esperava que houvesse esse desgaste que houve com relação à atual administração municipal.

JH - A senhora acha que Micarla está inviabilizada para concorrer à reeleição?
WF - Tomando as pesquisas de opinião pública, não preciso dar nem minha opinião. Mas as pesquisas estão dizendo que sim.

JH - A senhora já tinha visto um quadro tão negativo dessa maneira?
WF - Um quadro tão negativo quanto este, eu vi na época em que Aldo Tinoco estava encerrando o mandato dele.

JH - Ainda sobre as alianças em Natal. A senhora admite haver união da oposição do campo progressista ligado a Dilma ainda no primeiro turno da eleição em Natal?
WF - É possível, mas se todos tiverem juízo, se todos tiverem coragem, se todos se dispuserem a ter vontade de crescer do ponto de vista de comportamento ético, de comportamento de união de esforços, porque a oposição, normalmente, num Estado como o nosso, se torna mais frágil. Então ela precisa se unir para se fortalecer. Então nós precisamos nos fortalecer, precisamos ter a consciência de que unidos seremos fortes e assim chegaremos lá. Os sonhos, eles se realizam e o homem é do tamanho do seu sonho.

JH - Como se operacionalizaria essa união, já que Carlos Eduardo não admite abrir mão da candidatura por estar em primeiro nas pesquisas e Fernando Mineiro por ser uma candidatura fechada dentro do PT? A senhora retiraria a sua candidatura em prol de uma discussão como essa que a senhora propõe?
WF - Nós precisamos nessa hora fazer uma avaliação bem apurada, minuciosa. Precisamos fazer pesquisas qualitativas para poder tomar uma definição em termos de grupos de partidos. Aí tudo pode acontecer. Agora você está me perguntando algo que você também poderia perguntar a Carlos Eduardo, por exemplo, que está com a decisão já tomada de que será candidato. Eu não estou. Eu não estou porque na verdade existe no imaginário popular que eu fui governadora e a última referência que as pessoas têm da minha presença na vida pública é como governadora. Então, como governadora as pessoas estão me vendo e ao mesmo tempo estão pensando numa candidatura que tem a ver com 2014. Agora, o tempo está chegando, o pleito está se aproximando e as pessoas começam a enxergar a realidade e ficar mais antenados. Que esse momento também seja um reflexo para que tomemos a decisão acertada. As pessoas perguntam se eu vou ser governadora em 2014, dizem que estão com saudade. É esse diálogo que temos com o povo no nosso cotidiano.

JH - Se não tiver acordo a senhora será candidata de qualquer jeito?
WF - Eu só serei candidata, eu já disse, nós temos que ter um grupo de partidos para viabilizar esse projeto.

JH - Quando a senhora estava no governo, a senhora apoiou uma candidatura do PT, apoiou também a candidatura de Carlos Eduardo à reeleição. Hoje, por exemplo, se o nome da senhora for lançado, a senhora esperaria uma reciprocidade desses dois partidos?
WF - Veja bem. Nós temos que analisar que cada pretendente, cada pessoa que vai assumir o poder, seja ele municipal ou estadual, precisa ter conhecimento, precisa ter experiência. São dois pré-requisitos importantíssimos para que você possa fazer uma boa gestão. É fundamental. E naturalmente com bons assessores.

JH - Nesse aspecto, a gestão de Carlos Eduardo que terminou tendo que vender a conta dos funcionários para pagar a folha de pagamento dos servidores, teve aquele problema dos medicamentos, teve o Parque da Cidade, a senhora acha o que?
WF - Acho que os problemas que são questionados na Justiça eu não vou me referir agora porque já estão no âmbito da Justiça. Mas, com relação a todo mundo que vai para o governo, vai ter sempre questionamento, vai ter problemas. É o caso de Carlos Eduardo também.

JH - A senhora buscaria uma parceria com a presidente Dilma Rousseff? Pela relação que a senhora teve com a presidente, teria facilidade de conseguir parcerias para Natal?
WF - Acho que a presidente Dilma está dando o apoio necessário à prefeitura do Natal. Agora mesmo no PAC da Copa estão previstos mais de R$ 300 milhões, que é muito dinheiro. Agora isso tudo demorou, a realização desses projetos, demorou a aprovação dos projetos e isso tudo prejudicou, só agora há perspectivas de começarem.

JH - A senhora acredita na possibilidade de disputar o segundo turno com Carlos Eduardo Alves?
WF - Com certeza.

JH - Como seria?
WF - Uma disputa normal. Democrática.

JH - Por que a senhora acha que o grupo de Rosalba ainda não definiu o candidato em Natal? Pelo desgaste?
WF - Ela não tem candidato. Ela não tomou a decisão ainda porque o grupo dela é formado por vários líderes e eles deverão tomar essa decisão que está difícil porque todos os candidatos ligados ao governo e que estão trabalhando são muito fracos. Até os próprios candidatos que já se colocaram em pesquisas como pré-candidatos de outros tempos agora estão sendo prejudicados por conta da má administração de governo e da prefeitura. É o caso do DEM com Felipe Maia, o caso do PSDB com Rogério Marinho, o caso do próprio PMDB com Hermano Morais.

JH - Em março, a senhora está completando dois anos fora do governo. Qual a avaliação que faz da sua vida política e também do governo que se instalou?
WF - Durante este período de 2010, eu pude participar de uma campanha política e, no ano de 2011, até agora, já mais de um ano de governo daqueles que assumiram, nós temos visto e feito uma análise do governo, feito uma oposição criteriosa, responsável, mas vigilante, como tenho dito sempre. Porque entendo que fazer oposição com responsabilidade é bom para a sociedade e para a democracia. Minha conduta tem sido essa.

JH - Sobre o governo Rosalba Ciarlini, o que acha do desempenho até agora?
WF - Acho que o governo não conseguiu acontecer. Nas áreas sociais, principalmente, como saúde, educação, assistência social, segurança pública. Cortou vários programas sociais e deixou funcionando precariamente outros, como a Central do Cidadão, o Programa do Leite, o Programa Primeiro Emprego, que praticamente acabou. Entre outros programas que eram uma área do governo, mas não deixou de ser responsabilidade do governo, que eram as creches do MEIOS que foram entregues à Prefeitura e o MEIOS acabou e os funcionários foram demitidos e sequer os direitos trabalhistas foram pagos. Mas uma coisa gravíssima que aconteceu é que as crianças ficaram sem as creches, sem a educação infantil. E hoje tem em torno de 5 mil crianças da população mais carente que está sem a educação infantil. Isso é ruim para os pais que trabalham e muito ruim para as crianças que precisam se iniciar na educação através do ensino da pré-escola.

JH - De uma forma geral, a avaliação que a senhora faz do governo Rosalba não é positiva. No entanto, o governo lançou o RN Maior, que prevê investimentos de R$ 35 bilhões. Como a senhora avalia essa iniciativa?
WF - Eu gostaria de saber onde foi que o governo Rosalba contribuiu para qualquer investimento que esteja aí nessa área, nesse volume de recursos. Porque, se vai falar da energia eólica, fomos nós que deixamos todos os projetos encaminhados. Nós temos aí hoje em construção, já para ser inaugurado, outras que já foram inauguradas, várias usinas eólicas, num investimento de quase R$ 20 bilhões. O aeroporto de São Gonçalo, a própria presidente da República veio aqui e confirmou a nossa atuação em termos de elaboração de projetos, de encaminhamento de soluções, da preocupação em ter um estudo de viabilidade econômica e técnica para mostrar que era viável a construção de um aeroporto aqui nessa região de Natal. Além de outras obras e projetos que estão sendo colocadas como obras do governo que foram iniciadas na nossa gestão, como, por exemplo, o prolongamento da Avenida Prudente de Morais, que vai dar uma nova entrada para Natal, que a obra está lenta. O Complexo da Abolição no entorno de Mossoró é também outra obra importante. O saneamento básico de várias cidades do Estado nós deixamos todo ele com recursos assegurados e com os projetos prontos, obras inclusive iniciadas. Também deixamos adutoras importantes com recursos assegurados, além de obras de estradas também. Sem falar que a fábrica de cimento que foi inaugurada como se fosse uma coisa do novo governo que a gente deixou também. Eu visitei inclusive a fábrica em obras antes de deixar o governo. Enfim, eu verifico que não houve um programa novo para o RN. Eu espero que haja. Nós torcemos que haja. Eu não quero o quanto pior, melhor. Eu quero que haja realmente ação do governo na área social e na área de infraestrutura para que haja desenvolvimento. Mas o que estou vendo é que o turismo está caindo, o emprego está em queda. A população está aflita porque as ações sociais que atendiam aos mais carentes não estão chegando e a população está toda ela reclamando. Além dos servidores que estão sofrendo também por falta de valorização, que não existe neste governo para o servidor público.

JH - A senhora acha que o governo ficou meio perdido nesse primeiro ano, sem rumo?
WF - O governo ficou sem rumo. O governo está sem rumo. Essa é a grande realidade. Anunciam um programa RN Maior anunciando as obras do governo federal que estão incluídas, quase todas do governo federal, e nada de novo. Até mesmo as escolas técnicas já estavam licitadas, dado ordem de serviço, que nós deixamos com recursos em caixa na Secretaria Estadual de Educação.O governo Rosalba não tem programa de governo

JH - A senhora acha que essa situação atual se reflete nas pesquisas de opinião com o desgaste da governadora Rosalba Ciarlini?
WF - Eu acho que todas as pesquisas que foram divulgadas até agora refletem exatamente toda essa situação que eu estou colocando aqui. Eu não estou inventando, eu estou apenas deixando claro, em termos de opinião minha, e colocando também esses projetos que nós já tínhamos deixado encaminhados e mostrando que há insatisfação popular. Há insatisfação popular e isso está bem colocado nas pesquisas de opinião pública, que são pesquisas científicas. Não é de ouvir dizer, não é de um político fazer uma crítica. É um retrato do que o povo acha da atual administração. Tanto da governadora quanto da prefeita de Natal.

JH - A senhora quando deixou o governo há dois anos saiu com 60% de aceitação popular em relação à gestão. Rosalba está com 60% de desaprovação somente aqui em Natal. Diante desse quadro, a senhora admite que poderia voltar a disputar o governo do Estado?
WF - Eu não quero falar em disputa para 2014. Eu entendo que esse é o momento em que nós temos que nos deter em relação ao partido. No caso, eu sou a presidente do PSB, o Partido Socialista Brasileiro no RN e a gente vai trabalhar para que esse partido continue a ser um partido forte. O PSB é um partido que cresceu e que precisa se fortalecer aqui no RN, mesmo estando na oposição. Não é só o partido que vai fazer o seu caminho, o caminho do povo, o caminho da vitória do povo. Mas quem vai fazer a diferença é a aliança. Por isso que nós estamos conversando com o PSD, para fortalecer a oposição. Nós estamos conversando com o PP. Há um bom diálogo com o PP, que é o Partido Progressista. Estamos conversando com o PC do B que é outro partido que a gente dialoga bem. Estamos conversando com o PPS. Estamos conversando com outros partidos que têm candidatos inclusive agora em 2012 em Natal, como é o caso do PT e do PDT. Estamos conversando até com quem a gente tem que pensar a partir de hoje não só nas eleições de 2012, mas nas eleições de 2014.

JH - A senhora tem a contribuir para a vida pública norte-rio-grandense?
WF- Tenho muito a contribuir. Continuo a contribuir, fazendo política, buscando o bem comum, pensando em mudar os indicadores, melhorar a qualidade de vida da população. Estou preocupada hoje com o retrato que se faz sobre Natal e sobre o RN, que não é bom hoje esse desenho em termos de avanço, decadência hoje do turismo, que mostra que Natal hoje é uma cidade decadente e isso é preocupante. Porque Natal já foi aquela cidade amada por todos, principalmente por aqueles que nos visitavam. Era organizada e hoje está numa situação difícil. Sem projetos de mobilidade urbana para melhorar o trânsito e dar comodidade à população, sem projeto para o transporte público. Sem projeto na área do sistema viário. A cidade toda esburacada, com coleta irregular do lixo, a situação das nossas praças, dos nossos equipamentos desportivos caóticos. Natal hoje está vivendo um momento difícil porque os serviços básicos, a saúde, principalmente a saúde preventiva, aquela saúde básica que atende à população nos bairros, também não está funcionando. Os postos de saúde e as unidades de pronto atendimento hoje não funcionam para atender o cidadão e isso é preocupante. É o principal problema que Natal vive. Não vou dizer que saúde pública no Brasil está boa porque não está. Mas aqui a situação é caótica.

JH - Há informação do governo de que o senador José Agripino estaria enciumado com a participação do deputado Henrique Alves dentro do governo. A senhora que governou também com muitos partidos. Como administrar essas crises de ciúmes e de busca de espaço?
WF - Pois é. Eu estou pagando pra ver como é que vai caber, dentro de um governo só, Rosados, Alves e Maias.

JH - O Que a senhora acha dessa negociação da governadora Rosalba Ciarlini, a prefeita Fafá, por uma vaga no TCE?
WF - É no mínimo antiético. Seria uma coisa inconcebível usar da prerrogativa que ela tem de colocar um técnico no Tribunal de Contas do Estado para resolver um problema político.

JH - Ainda sobre alianças em Natal, o PT que é um dos partidos importantes, da presidente Dilma Rousseff, coloca como irreversível a candidatura de Fernando Mineiro. Como a senhora avalia esse posicionamento do partido?
WF - Eu entendo que o partido, que já teve conversas conosco aqui dentro dessa sala, já tinha decisão dentro do partido, o partido já tinha votado isso, tinha havido votação, já estava tudo acertado e que nós nos uniríamos no segundo turno. No entanto, eu acho que para fortalecer esse grupo o ideal seria todos juntos numa só candidatura. Agora, também não invalido que a decisão seja tomada no segundo turno. Porque com tantos candidatos, é possível, é viável, que tenhamos dois turnos. Então essa tese pode prevalecer sem maiores problemas.

JH - Como avalia o desempenho do potiguar Garibaldi Alves Filho no Ministério da Previdência, como auxiliar da presidente Dilma Rousseff?
WF - Até agora ele tem cumprido o rito.

JH - E como avalia o líder do PMDB, Henrique Alves, que na última edição da revista Isto É foi reportado como fisiológico e que seria comandante de vários cargos no PMDB?
WF - No Brasil essa questão de ocupação de espaço é uma coisa muito difícil de a população entender. Porque o mais importante seria você lutar pelos projetos. O mais importante seria você lutar pelas ações e não pelos espaços. Embora saibamos que cada partido deseje também chegar ao poder em conjunto. Mas que não haja tanta ganância em relação a essa questão de ocupação de espaços. É um assunto que quem tem que falar sobre ele são os que estão à frente do governo federal. Na realidade a presidente tem tido muitas dificuldades na ocupação desses espaços. Eu fui governo e sei dessas dificuldades. Você tem cada vez mais uma grande quantidade de partidos e na hora que há apoios os partidos querem participar querendo espaços administrativos e isso atrapalha um pouco a administração. Você tem que ter um técnico que seja político porque o cargo é político para que se realize um bom trabalho naquela área.

JH - A senhora admitiria a retirada da sua pré-candidatura para coordenar a oposição principalmente em Natal, em função da sua estatura política, experiência e sua liderança?
WF - Eu acho que hoje, sem precisar combinar isso, eu já exerço esse papel. Porque já me procuram para exercer esse papel de coordenação da oposição. Eu acho que esse papel tem sido um papel que eu tenho procurado, sem medo, realizar. Sem medo porque eu sei do poder que o governo tem. Além do poder que existe dentro de um governo de um estado pequeno como o nosso, onde o governo é quase tudo, existe o poder dos partidos que estão ali. Ali está o PMDB, ali está o PR, ali está o DEM, ali estão os três senadores. Eu não tinha nenhum senador quando era governadora. Ali está a maioria dos deputados federais. Ali existem partidos de proprietários de canais de televisão, de cadeias de emissoras de rádio e de jornal, mas, mesmo assim, eu continuo a não temer e a fazer a oposição que o povo me pede para ser essa voz.

JH - Na última campanha, a senhora teve ao seu lado os deputados Henrique e João Maia, entre outros políticos, como a senhora viu em menos de um ano João Maia e Henrique abraçados com a governadora Rosalba?
WF - Infelizmente isso é uma realidade que existe no RN, constatada pelo povo e nós sabemos que a derrota de Iberê em 2010 não foi apenas porque ele estava com problema de saúde ou porque Rosalba era mais forte, não. Mas, porque faltou empenho daqueles que estavam somando conosco naquela época. Faltou empenho.

Publicado no O Jornal de Hoje

POSTADO POR CLEUMY CANDIDO FONSECA ÁS 10:36

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